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sábado, 18 de fevereiro de 2017

Ajudando os pequenos a crescerem- Crianças em casa até os 4 anos

Olá queridas mamães,

Parece que essa semana acabou, sem que eu planejasse, se tornando a semana das crianças pequenas. Todas as sugestões que eu dei passaram pela primeira infância. Provavelmente, não ficaremos só nesse intervalo de idade. Teremos outras conversas no caminho.

Hoje há uma grande discussão se crianças pequenas devem ou não permanecer em casa em vez de frequentar creches, hoteizinhos e escolas. Tenho meu posicionamento sobre isso, mas confesso que não tratarei da questão no post.  Esse é, de fato, um post sobre filhos pequenos que já estão em casa com pais que querem ser protagonistas no processo de desenvolvimento. 
Eu acredito, e poderia citar uma diversidade de autores que seguem essa direção conceitual e pratica, que crianças pequenas precisam se apaixonar por conhecer. Creio que é a idade em que é necessário desenvolver amor pelo conhecimento e aguçar os sentidos. Não estou falando de conhecimento formal, mas de formar os alicerces que serão um passo inicial na postura da criança frente ao mundo. Isso não se faz sentando por quatro horas e fazendo tarefas. Há uma série de habilidades espirituais, emocionais, físicas, afetivas (e lá se vai a lista) das quais são lançados os alicerces nos primeiros anos. Há uma postura frente ao mundo, ao desconhecido, aos limites, à vida que começa a se construir e a vida cotidiana e familiar é cheia de momentos que propiciam o desenvolvimento. No lar é possível formar o alicerce da vida devocional e espiritual e com espontaneidade aprender os primeiros conteudos que são básicos em nossa organização social. Não é necessário investir em coisas caras ou gastar dinheiro com programas de ensino. No dia a dia, na brincadeira, enquanto as coisas acontecem nossos filhos crescem e florescem, desde que estejamos dispostos a trabalhar com eles.
Todavia, creio que é importante traçar alvos porque creio que podemos usar toda situação que vivenciamos com nossos pequeninos para que cresçam com corpo sadio, espirito fortalecido, coração sábio e graça diante de Deus e dos homens (Lc 2:40). Não necessariamente seus alvos precisam estar num pedaço de papel, mas para aquelas mamães que como eu buscam um conjunto de habilidades escritas para saberem o que perseguem, disponibilizo uma lista passível de adaptação. Há, na minha lista, habilidades bastante especificas, pelo fato de eu ter construído essa lista tendo como foco uma criança, em especifico, minha filha caçula.





Conjunto de Habilidades de desenvolvimento para crianças pequenas
Idade abrangente: 2-4anos

Objetivos:

  • ·      Iniciar a criança na cosmovisão cristã. Creio que nessa idade é importante que a criança se perceba como parte de uma família inserida no reino de Deus.
  • ·      Propiciar uma educação global que  tenha como foco a formação cristã.
  • ·      Propiciar desenvolvimento integral e aprimoramento de habilidades já conquistadas com o encorajamento especifico.

  • ·      Estimular a curiosidade e a resolução de problemas  a partir de recursos pessoais e habilidades cognitivas já adquiridas.
  • ·      Trabalhar a construção do sentimento de pertença como  atrelada a possibilidade de apego e dependência nos primeiros anos (primeira infância). Nossa visão se sustenta na premissa de que o vinculo familiar fortalecido é a base de uma boa socialização e da formação integral da criança.
  • ·      Relacionar-se com outras crianças através de diversas atividades e desenvolver valores cristãos para a convivência social.
  • ·      Situar-se a partir da construção de um conceito inicial de Deus,  de si e do mundo ao seu redor.
  • ·      Estender a aprendizagem a diversas atividades e ambientes (museus, ar livre, casa, prática de atividades ao ar livre, visitas a diferentes espaços ), tornando-a uma experiência global e não restrita a um determinado ambiente.
A seguir, listo algumas áreas:


Habilidades artísticas,  de representação e criação


  • ·      Reconhecer objetos através da imagem, do som, das sensações que desperta, cheiro e sabor, explorando os sentidos nas situações cotidianas do lar.
  • ·      Imitar,  seguir sequências e instruções.
  • ·      Estabelecer relações diversas entre objetos do mundo físico, através de suas características.
  • ·      Inserir-se em jogos imaginários e de imitação.
  • ·       Manipular material concreto e criar (barro, papéis de diferentes textura, sucata, ingredientes de cozinha, massinha de modelar, etc.) .
  • ·      Iniciar reconhecimento e classificação de objetos a partir de categorias (cores,  figuras geométricas planas, números, categorias em geral).
  • ·      Usar o desenho e a pintura como ferramenta de representação da realidade.
  • ·      Ser introduzida à ideia da representação escrita de nomes (pessoas, objetos). Ou seja, saber que as pessoas escrevem.

Linguagem 
·      Expressar-se e falar com os outros sobre experiências pessoais.
·      Descrever objetos e estabelecer ou compreender relações entre eles.
·      Desenvolver habilidade de ouvir diferentes tipos de textos (histórias, lendas, poemas, instruções, contos, relatos bíblicos, etc.) narrados de forma espontânea ou formal.
·      Reconhecer a escrita como forma de expressão.
·      Expressar-se através da escrita- desenhando e fazendo garatujo.
·      Ser introduzida a símbolos e figuras presentes no cotidiano.
·      Desenvolver habilidade de contar historias espontaneamente ou a partir de sequências;
·      Iniciar organização temporal de dados em sua narrativa.
·      Ser introduzida a diferentes gêneros textuais como ouvinte. 
·      Ampliar vocabulário.


Identidade e Relações interpessoais
·      Reconhecer o outro como parceiro de jogos, brincadeiras e atividades.
·      Resolver problemas e usar ferramentas emocionais ou físicas úteis nos contextos específicos (Pedir objeto, substituir algo inacessível, etc.)
·      Desenvolver soluções sociais e superar a tendência a utilizar recursos afetivos egocêntricos. Trocar soluções egocêntricas imediatas pelo uso da palavra (ex.: em vez de tomar brinquedo a força pedir por favor, solicitar ajuda de adulto para resolver conflito, etc.) sendo introduzido a princípios bíblicos apropriados para a sua idade e desenvolvimento pessoal.·      
Reconhecer sinais de emoções, sentimentos, desejos e necessidades do  outro, desenvolvendo também um coração disposto a servir e cooperar e também consolar.
·      Relacionar-se com outras crianças e adultos a partir de princípios bíblicos.
·      Ser introduzida à ideia de acordos coletivos, regras e lidar com elas.
·      Fazer uso de boas maneiras que facilitam as relações com outros.
·      Reconhecer figuras de autoridade e cuidado e aprender a estar sob autoridade protetiva dos pais.
·      Participar de atividades coletivas que exijam cooperação.
·      Lidar com conflitos com a ajuda de adultos que seguem princípios bíblicos.

Matemática

·      Reconhecer figuras planas em diferentes contextos de uso e diferencia-las.
·      Desenvolver habilidade de classificação (figuras geométricas, flores, plantas, animais) a partir de atividades práticas.
·      Ordenar e fazer correspondência entre objetos.
·      Fazer diferença entre todo e parte.
·      Reconhecer atributos dos objetos e compara-los.
·      Desenvolver precursores do conceito de número (ordenar coisas, memorizar sequencia de números, etc).
·      Iniciar reconhecimento de registro escrito de números.
·      Fazer uso de conceito de quantidade no cotidiano (muito, pouco, um, etc);
·      Desenvolver noções iniciais de tempo e espaço.
·      Reconhecer organização espacial e posição dos objetos: encima, embaixo, ao lado, longe, perto, etc.

Música
·      Mover-se ao som da música.
·      Explorar e identificar sons e ritmos.
·      Explorar a própria voz e cantar.
·      Desenvolver marcha ou ritmo.
·      Apreciar produções musicais desenvolvendo o prazer da escuta.
·      Ser introduzida à musica cristã e o seu uso como forma de expressão e adoração.
·      Desenvolver apreciação por música clássica.

Movimento, memória e atenção
·      Expressar criatividade a partir do movimento
·      Descrever movimento
·      Desenvolver consciência corporal e destreza nos movimentos
·      Desenvolver memória do movimento
·      Aperfeiçoar gestos relativos a preensão, encaixe,  diferentes traçados e motricidade fina
·      Reconhecer e participar de brincadeiras infantis socialmente conhecidas (roda, brincar de forno, etc.)
·      Desenvolver percepção viso-motora
·      Desenvolver atenção e capacidade de concentração  em diferentes contextos
·      Desenvolver habilidade de  participar de atividades de quietude  (organizar-se para atividades amenas e começar a centrar atenção sem a presença de eletrônicos )
·      Usar memória como recurso na aprendizagem e nos jogos
·      Desenvolver esquema corporal  e equilíbrio de forma correspondente ao desenvolvimento pessoal

Desenvolvimento Espiritual e introdução a cultura cristã familiar
-       Compreender sua posição como criação divina
-       Ser introduzida à cultura cristã familiar
-       Iniciar o reconhecimento dos ritos, tradições e datas importantes da nossa fé
-       Desenvolver contato inicial com narrativas bíblicas importantes
-       Ser introduzida à instrução formativa bíblica a partir de uma abordagem ligada ao concreto
-       Ser apresentada de forma introdutória à mensagem da salvação a partir dos recursos do LSP (livro sem palavras)
- Reconhecer princípios bíblicos básicos que regem o relacionamento familiar
- Desenvolver o gosto por servir ao outro e aprender que isso agrada a Deus.

Relação com natureza e vida em sociedade
-       Ser introduzida a outros seres vivos e observa-los em seu habitat
-       Descrever natureza de forma introdutória a partir dos sentidos e das informações que já possui.
-       Criar hábitos de higiene, alimentação saudável moderada e cuidados
-       Desenvolver autonomia inicial no cuidado com o corpo e controle dos esfíncteres
-       Criar hábitos de cuidado com o meio ambiente, espaço e objetos pessoais bem como ambiente coletivo
-       Compreender a natureza como criação divina
-         participar dos momentos de comunhão familiar, aprender e valorizar a convivência em família 
-       Desenvolver de forma introdutória os rudimentos para a identidade cultural cristã
-       Desenvolver hábitos de rotina e a consciência dos mesmos
-     Aprender de forma prática sobre limites e autoridade protetiva. Compreender o papel dos pais em seu crescimento e proteção de forma inicial
-    Aprender a servir e envolver-se nos cuidados familiares da forma que lhe é possível.


     A rotina de um lar pode ser abençoadora para uma criança pequena. Como pais somos responsáveis por estabelecermos as bases do desenvolvimento de nossos pequenos. O amor, envolvimento afetivo e autoridade protetiva que um lar pode proporcionar é um presente do céu que garante aos pequeninos a confiança básica para crescer e aprender.

Espero ter sido de ajuda!
Um abraço afetuoso dessa mãe na oficina do Mestre!
Ana Cláudia 




quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Levando a mensagem de salvação aos pequeninos- Parte 2

Olá, mamães queridas!

 Que nosso coração esteja repousando na segurança de estarmos abrigados sob as asas daquele que tudo pode!
Começo assim, pois falar desse tema me remete à necessidade de compreender que carecemos da graça divina.  São 8:53 da manhã, meu dia começou a aproximadamente  quatro horas e andando pela casa e organizando a rotina logo cedo, achei uma frase escrita por uma amiga a muitos anos atrás dentro de uma Bíblia que usei na minha juventude  e peguei para usar. Assim estava escrito: "Quem tudo a Deus entrega para seguir seu chamado, deixando-se em fraqueza à disposição do mestre, dispõe do céu para as menores e mais cotidianas tarefas. Siga em frente!" No silêncio da manhã, cortado pelo barulho de um passarinho nas plantas da minha pequena horta e dos carros que começam a circular, eu percebi o quanto essa verdade é genuína e o quanto o Senhor é fiel e nos fortalece. Depender de Deus é difícil, mas é compensador. Logo a solidão com o criador e minhas ideias foi alterada por uma pequenina linda que me faz companhia todas as manhãs. Olhei para ela e digo a mim silenciosamente que nem minha tese de doutorado foi tão desafiante como ser mãe dela e do seu irmão e conduzi-los no caminho e na instrução do Senhor. Em cada fase deles, um novo jeito de falar e novos desafios. Que eu possa tudo de mim entregar para seguir esse chamado.

Antes que você ache que minhas manhãs são bucolicas, tranquilas e românticas, preciso lhe dizer que eu sou uma alma romântica por natureza e em meu fleuma e melancolia, depois de uma boa xícara de chá ou café, sou tendente a descrever as coisas do modo que faço. Provavelmente, meus desafios cotidianos são como os da maioria das mães comuns. É isso que eu sou: uma mãe igual a você. Então, temos a nossa frente o desafio máximo do chamado à maternidade. Depois de ser inspirada pela frase da minha amiga, gostaria de falar sobre como levar a palavra aos filhos desde o nascimento até os seis anos, idade do meu cavaleiro introspectivo. 

Então vem minha primeira ressalva, olhe para esse post como o de uma mãe que está aprendendo. Não tenho filhos adultos ou jovens que possam confirmar minhas palavras e tudo que tenho são pequenas alegrias e confirmações de percurso. Meu maior anelo é vir a tê-los um dia e dizer aqui no blog, já sessentona, que deu certo e que meu filhos são adultos entregues ao Mestre para seu louvor e gloria (embora eu seja uma ardente apreciadora dos primeiros anos da infância) 😆😆🙏🙏. Veja esse e todo e qualquer post meu, não como o post de alguém que tem autoridade no assunto, mas como o post de uma mãe que tem caminhado e faz sugestões a partir do caminho que tem trilhado. Esses dias alguém me fez uma pergunta e introduziu da seguinte forma: Como especialista em maternidade o que você acha de… Cá comigo, eu sorri, sorri mesmo e a pessoa notou. Não sou especialista! Sou uma mãe caminhando com outras e dividindo a alegria de caminhar com o Senhor em minha fraqueza. Quero também dizer-lhe que antes de ler o post parte dois, você deve ler o primeiro…aqui . Creio, firmemente, que tudo que será dito aqui deve ser colocado sobre a perspectiva do primeiro post. Então vamos lá. Hoje, abordarei a forma como introduzi meus pequenos na pregação do evangelho.

  • 0 aos 18 meses


Imagem: gestantesecia.com.br


Creio que essa é a idade do início.  Não, não é cedo demais. Não espere seu filho entender para introduzir na rotina a fé que sua família abraçou. Deixe que eu explique: raramente uma mãe vai deixar para dizer eu te amo ao seu bebê quando ele entender o que é o amor. Cantamos musiquinhas dos dedinhos, ensinamos a sequencia de números para que eles digam de memória e esperamos o tempo que compreendam os conceitos. Então, por que vamos esperar para pronunciar o nome Jesus para eles? 

O universo de informações e estímulos que privilegiamos na relação com nossos filhos é de primordial importância para seu desenvolvimento. Nessa idade, creio que é importante ter uma rotina familiar já estabelecida quanto à devoção. Primeiro, é primordial que nossos filhos nos vejam com a Bíblia, louvando ao Senhor e orando. Não devemos fazê-lo com a intenção de que eles vejam, apenas. Todavia, é importante que desde cedo eles percebam que há algo que empolga a mamãe e o papai. 

Independente de sua afinação, sugiro que aprenda pequenos corinhos infantis e cante com seu bebê. Mesmo que nos primeiros momentos ele não preste atenção. Cante! As crianças são capazes de capturar os sons e informações do ambiente, mesmo quando brincando. Selecione algumas canções da salvação, hinos do hinário que sejam mais simples e salmos musicados. Use gestos, palminhas, pandeiros, chocalhos e chame atenção deles. Uma dica interessante é pegar a melodia de hinos e cânticos já existentes e colocar a letra de salmos ou versículos bíblicos. Ponha áudios com os hinos do hinário usado na sua congregação. Não se preocupe com a linguagem! Em algum ponto da infância, eles terão curiosidade de lhe perguntar o significado da palavra. Você ouvirá: Mamãe, o que quer dizer 'levanta Josué pendão'?  E, então poderá explicar … 

Na minha pequena experiência como mãe e professora de E.B.D de crianças pequenas, também tenho visto a importância de introduzir pequeno versículos e ir usando na medida em que o tempo passa. Você pode usar versículos menores ou até partes de versículos. Um dos primeiros que Benjamin recitava, antes dos dois anos era uma parte de Efésios 4:32: Sede bondosos. Depois, use os mesmos versículos ao longo do dia. Uma coisa que aprendi com minha mãe e reproduzi com meus filhos, desde os primeiros momentos com eles, foi  a estratégia de ter versículos fixos para cada momento. Ao acordar, um verso de Salmos, nas refeições, outro verso de Salmos, e ao deitar um outro. Na idade que eles ainda não falavam, eu falava para eles vagarosamente e gesticulando e quando começavam a falar era lindo de ver aquelas boquinhas pequeninas falando a palavra do Senhor. Não deixe de manusear a Bíblia perto deles e dizer que é a palavra do Senhor e conte sempre histórias da Bíblia. 

Use recursos que lhe sejam praticáveis ou que tenha em casa: fantoches, livrinhos, figuras da internet.  Faca-o de acordo com os talentos que você recebeu ou pode desenvolver. Não tenha pressa nem se frustre quando eles desviarem a atenção. Aos poucos, eles vão aprendendo a se centrar. Aponte para as coisas, figuras e fale do criador: Olha, João a lua que Deus fez! Lua! essa é a lua que o Pai do Céu criou. Faça isso na natureza e nos desenhos e gravuras. Faça o culto domestico e ore por seus filhos.  Deixe que folheem uma Bíblia infantil e vá dizendo: Sim, Sarinha! Esse é Davi! Ele venceu um gigante beeem grandão (faça o gesto ). 
Introduza momentos de pequenas orações. Feche os olhos e eles logo aprenderão. E ore por eles quando estão perto. Gosto de fazer uma última oração, entregando-os ao Senhor quando vão dormir. Até hoje, eu mantenho esse hábito. Depois de ler para cada um, eles oram individualmente e eu ponho a minha mão sobre a cabecinha de cada um e faço uma oração por eles.

Bom mamães, essas são as dicas  e sugestões bem simples. Espero que possamos, todas  nós, cumprir com alegria nossa missão, mesmo entre fraldas, panelas, vassouras, leituras… 
Essa série terá continuidade em dois outros posts...
 Até lá!
No amor fraternal que nos une,
Ana Claudia

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Levando a mensagem de salvação aos pequeninos

Olá, queridas mamães,

Duas ou três vezes, mães me pediram que falasse sobre como começar a falar de Jesus aos pequeninos. Desde já quero avisar que esse não é um post simples de três ou quatro passos milagrosos. Pra mim, há simplicidade no fazer, mas há conceitos por trás da maternidade intencionalmente bíblica que não podem ser esquecidos. Em primeiríssimo lugar, eu creio que antes de qualquer coisa, como mães, devemos desenvolver um coração em que a salvação é transbordante e em que a palavra de Deus arde. Esse é o começo de tudo. Não posso reduzir a historia aqui a um conjunto de dicas de faça isso e faça aquilo.

Levar Jesus aos pequenos não se reduz a uma história bíblica contada. Creio que não se resume a que os filhos façam uma oração confessando Jesus como seu Senhor e Salvador. Não ignoro que tudo isso é importante. Todavia, há um trabalho longo que começa no coração dos pais. Como nosso blog é para mães, vou falar para nós pois não sou pai, nem me sinto em posição de dizer-lhes algo, posso falar como mãe, daquilo que o Senhor tem ministrado ao meu coração e tem feito crescer dentro de mim.

O primeiro passo para evangelizar nossos filhos é desenvolvermos nossa salvação, operando-a como o apostolo Paulo aconselha aos filipenses (Fp. 2-12-15). Precisamos deixar que o fato de sermos mães que confessam a Cristo como salvador pessoal transborde e atinja os nossos filhos e que a palavra de Deus passe, em nossos lábios e modo de viver, a ser o centro de tudo. Nossos filhos precisam ser introduzidos à palavra! Eles precisam ouvir e memorizar a palavra! Mas a cada dia sinto e creio ser desafiada pelo Senhor a deixar que sua doce e santa voz seja o centro da minha vida e da maternidade que vivo.  Não preciso só ensinar a Bíblia a meus filhos. A Bíblia precisa ser o centro e parâmetro do nosso lar. Ela tem que também ser o centro da minha vida. Os fariseus sabiam a lei de memória, mas não a amavam!
Eu creio que como a mulher samaritana, uma mãe que tem um coração impactado por Aquele que promete e dá da água da vida a nosso sedento coração não poderá evitar convidar os seus pequenos para conhecer Aquele que é maior que os profetas. A cada dia, e em cada gesto, haverá algo do Senhor a repartir, simplesmente porque somos centradas na Bíblia. Creio que mesmo quando erramos com nossos filhos a nossa confissão de fraqueza, firmada na palavra, testificará a nossos filhos. Ser uma mãe cristã não pode ser um detalhe em nossa jornada materna. Isso precisa ser o centro.
Uma vez fui almoçar com uma pessoa apaixonada pela psicanálise. Eramos dois casais e nossas crianças. Durante toda a refeição, absolutamente tudo foi analisado pelo crivo da psicanálise. Aquela senhora não deixou passar um gesto sequer! Ela falava com uma paixão que lhe enchia a vista tal qual uma adolescente apaixonada. Nada, nenhum assunto, subsistia em sua conversa sem que voltasse ao centro de sua vida. Depois daquele encontro, entramos no nosso carro e eu sussurrei no meu coração: que eu seja assim, a cada dia com tua palavra! Que ela jorre tal água pura e cristalina e invada o coração de meus filhos e os ouvidos de quem me cerca. Ah, Senhor, que seja natural para mim...

É importante contar historias da Bíblia, mas elas precisam ser mais que uma história interessante. Narrar ou ler a história bíblica precisa ser mais que ler contos infantís. Fazer o culto domestico precisa ser mais que brincar de encenar coisas de adulto. Louvar a Deus e ouvir a palavra precisa ser algo que faz o coração arder e isso só empolgará nossos filhos, se nos inflamar primeiro. O amor de Cristo precisa nos constranger a viver para Ele (2Co 5. 14-15) para que nossos filhos queiram experimentar.

O segundo passo na evangelização dos nossos filhos é fazer disso um propósito firme de oração. Orar por eles, mas que tudo, nos ajuda a entender que precisamos estar em plena e completa relação de dependência com Deus. Jesus nos diz, e está registrado no evangelho João capitulo quinze, que nossa produção de frutos para o reino é dependente dEle. Se somos intencionalmente focadas na Bíblia, nós seremos mães que entenderemos que sem Ele não há absolutamente nada  que possamos fazer. Dependa de Deus! Peça sabedoria para lidar com cada filho, em sua forma particular de ser.

Em terceiro lugar, trabalhe com seu filho em fé e não em incredulidade. Sabe aquele filho que parece não entender, não querer e de pequeno ter mais dificuldade com tudo? Invista nEle! Deus chamou você para isso. É simples assim!!! Talvez você não veja ainda frutos. Não desista! A sua fé não precisa ver resultados, ela precisa se mover sob a certeza que eles virão. Não é a fé a certeza das coisas que esperamos e a prova daquilo que não vemos? (Hb 11.1).  Não, a Bíblia não diz que vai ser fácil e ela fala que em algum momento vamos plantar a preciosa semente andando e chorando. Que em algum momento semearemos em lágrimas, mas colheremos com alegria e traremos conosco os molhos. Certo dia, ouvi uma frase muito linda dita pela serva de Deus Elizabeth Elliot. Ela dizia que não devemos arrancar com a dúvida aquilo que plantamos em fé e confiança. Não lamente, não duvide, mesmo andando e chorando semeie a preciosa semente. Não pare de semear para chorar. Se precisar chorar continue andando e semeando, mesmo em lágrimas.
Quero muito falar sobre a importância de alcançar os filhos desde pequeninos e fazer um próximo post com sugestões práticas, mas não podia deixar que essas verdades escapem. Que Deus nos ajude! Que sua graça infinita nos cubra e que sejamos diligentes.

Em amor,
Essa aprendiz de mãe na oficina do bom mestre.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Mais uma vez retomando nossa conversa…mais uma vez

Queridas mamães, companheiras de jornada e leitoras do blog,


Quando eu comecei o blog, era apenas uma ideia não muito definida de uma mãe que tinha descoberto um jeito singular de seguir a grande comissão de Cristo: a maternidade intencionalmente bíblica. Lembro do dia que minha amiga e companheira Adna me ensinou como manusear as ferramentas básicas do blogger. Nessa época, eu era uma mãe de um garotinho de dois anos, grávida da minha segunda maravilha, uma menina. Ainda me lembro de escrever na fila de espera do obstetra.

O garotinho hoje tem 6 anos e não gosta de ser chamado de garotinho. A bebezinha é uma menina sapeca e sabida de três anos e eu já não sou a mesma. Errei e acertei, mas em todos esses momentos a graça divina superabundou.


Através do blog, conheci pessoas, comecei o "papo de mães" na RBC, chorei e sorri com mães como eu e fiz novas amigas. Então, resolvi comemorar essa história dando uma nova cara ao blog. Não é uma questão de aparência! Eu mudei, minha cozinha mudou, minha familía foi também mudando porque nosso alvo a cada dia fica mais nítido e nossa alma grita mais forte: Maranata! 



Então, aqui estamos com novos tópicos, novos projetos e o mesmo alvo e a mesma convicção:meu alvo é ser uma mãe intencionalmente bíblica. Algumas amigas tem ajudado nessa jornada com o blog, o Facebook e a montanha de ideias que saem da minha cabeça e tenho de administrar. Algumas delas são solteiras, mas como eu vêem o blog como uma missão.


Orem por mim para que possa dar continuidade a essa linda obra. Com fé, vamos seguir juntas na alegria de dividir a missão de sermos santificadas pelo Senhor através da maternidade. 


Até nosso próximo encontro!



No amor fraternal que nos torna irmãs, 

Ana Claudia Alves

sábado, 17 de dezembro de 2016

Você, eu e João Batista… preparando o caminho para o salvador

 "Enviarei à tua frente o meu mensageiro;ele preparará o teu caminho. Voz do clama no deserto: preparem  o caminho para o Senhor, façam veredas retas para Ele". Marcos 1: 2-3


Escolhi abrir o post com o versículo que descreve a missão de João Batista porque ele me toca a alma. Já mencionei aqui no blog que sinto que a missão dos pais tem um pouco do que João Batista fazia: preparar o caminho para que o Salvador faça a obra. Não estou dizendo que Deus precise de mim e de você. Estou dizendo que, em seu plano infinito, Ele escolheu a você e a mim para anunciar  a salvação de Deus. Por isso creio que toda ocasião com nossos filhos deve ser revertida para o propósito com o qual fomos criadas.

Se o mundo fala de magia, nós falamos do Deus de milagres. Se falam da força dos sonhos, do pensamento positivo, nós falamos dos planos e projetos de Deus como guiando nossas vidas. Toda ocasião, a tempo e fora de tempo (II Tm 4.1,2), é uma ocasião que podemos usar para semear a boa semente no coração dos nossos filhos. Essa semana eu tive um exemplo concreto que mesmo quando eles são bem pequenos as nossas palavras não são jogadas no vácuo. Como eu quero compartilhar essa vivência que tive. 

Meu Benjamin já tem 6 anos. Quando ele tinha 4 anos, numa ocasião que lhe falei sobre Deus, fui interrogada por ele como eu sabia que tudo aquilo era verdade. Falei da minha fé, mas falei também de fatos, numa linguagem simples contei-lhe que o profeta Isaías, por exemplo, falou muito antes como Jesus seria e de tudo que sofreria. Abri com ele a Bíblia em Isaías 53 e fui explicando verso por verso. Falei de outros fatos e assim seguimos em frente. Semana passada, eu o vi repetir a informação. Assustada perguntei de onde ele tirou essa informação. Ele me respondeu: você me contou naquele dia quando perguntei se Deus era de verdade e como você sabia. Ali, na minha frente, estava constatado que as palavras de vida ficam gravadas. Eu sei que a fé do meu filho não pode ser firmada em fatos, apenas. Todavia, chamou a minha atenção o fato dele ter lembrado algo que lhe disse quando era ainda tão pequeno. Eu estou abrindo o caminho para o Salvador. Como João Batista, como a profetiza Ana, como Simeão, eu estou lá dizendo que há alguém mais forte, mais reto, justo e bom que quer passagem. Esse é o Salvador!!! Diante dEle não sou nada.

Estamos numa época do ano em que em nossa nação se usa o nome de Jesus de tantas formas… uns esperam dEle fama, riquezas, glorias e tantas outras coisas. Há os que lucram com seu nome, os que o usam como amuleto ou até como uma especie de ícone socialista, sem entender que sua missão na história é muito mais que repartir o pão entre todos. Ele veio para dar a vida, por mim, por você, por nós e por todos. Ele nos amou primeiro (I Jo 4:19) e morreu por nós, sendo nós ainda pecadores (Rm 5.3). Nós, como João Batista, temos o privilegio de superar a visão do menino na manjedoura como um pobrezinho e entender que ali morava a grandeza de alguém que escolheu vir. Ele não foi vitima das circunstancias. Ele escolheu vir e viver exatamente o que viveu.  Por isso, todo dia, numa sala de uma casa, numa cozinha, numa cama antes de dormir, numa mesa, há uma mãe convicta que a missão de João continua viva! Sim, nós dizemos para os pequeninos: Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo! Há Alguém maior que eu, de quem não sou digna de desatar as sandálias. Dizemos: não olhe para a mamãe, olhe para Ele! Também, esperamos com alegria, não o dia em que o mundo nos reconhecerá como boas mães, mas o dia em que o Salvador vai entrar naquela vida pequenina e fazer dela morada.

Digo isso, com lágrimas nos olhos, e não espero que o mundo reconheça e entenda isso. Como João, muitas mães e eu parecemos malucas, fora do sistema, que escolheram viver na aridez do deserto! Há alguns dias fui questionada, por pessoas amorosas, porque faço o que faço. Ah, como examinei meu coração. Como o abri diante do Senhor em oração.  Não quero servir pelas razões erradas. Alguém me perguntou  o que farei quando meus filhos crescerem, me disse que desperdicei minha carreira acadêmica. Em outra ocasião fui interrogada por que fazia determinada coisa trabalhosa e para muitos enfadonha. Pedi a Deus que me sondasse. Perguntei a Ele se as minhas razões eram as dEle. Lendo minha Bíblia, eu encontrei a paz que sempre encontro, aquela paz que corta o silêncio da madrugada e enche o espaço da presença do rei da manjedoura. Eu não faço por mim, não faço por eles. É que, com todos os meus defeitos, precisando me dobrar  e corrigir a cada dia, eu fui feita pra isso. Eu e muitas outras mães, cada uma da sua forma e jeito entendemos nossa missão. Fomos chamadas para aplainar o caminho para o Salvador na vida de pequeninos. O Deus que poderia fazer tudo sozinho decidiu nos chamar.

Estamos esperando, exultantes quão Simão e Ana. Não esperamos como eles,  pegar Deus encarnado nos braços. Esperamos que o salvador more nas vidinhas pequenas e frágeis, mas igualmente marcadas pela mesma necessidade do Salvador que as ama. Eu sinto que como João fui designada e moldada para uma missão. A despeito da minha carne, que quer ser reconhecida, que quer algo em troca, em meu peito algo sussurra: Não, não é por você! Que Ele cresça, que você diminua. Isso até o dia em que Ele seja tão evidente na vida dos nossos pequenos que possamos dizer: Eis na vida de Benjamin, de Beatriz, de João, de Maria  o cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo! Quando eles crescerem e a presença dEle seja evidente e o Espirito Santo testemunhar que há algo sobrenatural acontecendo, aos poucos, você e eu desapareceremos, seremos cada vez mais desnecessárias. Então…oh, então, você e eu podemos responder a tão aguda pergunta:  o que farei quando eles crescerem? Se outros pequeninos não existirem em nosso lar (não sou Deus para saber o amanhã),  eu continuarei a ser uma voz no deserto e o que quer que faça não poderá apagar o propósito com que fui criada: apontar para Ele! Apontar para o Salvador que tira o pecado do mundo.

Só entende as palavras escondidas no parágrafo anterior quem entende que uma mãe que abraça essa missão não faz dos seus filhos o centro da sua vida. Ela foi chamada para preparar o caminho do Salvador. Ela só cumpre sua missão. Sua vida não é entregue aos seus filhos. É entregue ao Salvador através deles. Eles são nosso campo de trabalho e amor e são também o instrumento de santificação em nossas vidas. É só isso, nada mais. Como João, todas nós não estamos aqui para ser vistas, estamos aqui para anuncia-lo e apontar para Ele. Nada mais. Nada mais…

Vivamos o natal assim! Que não seja sobre você nem sobre mim! Que em cada gesto para tornar nosso lar uma atmosfera agradável, para contar sobre Jesus e seu advento aos pequeninos, para tocar um coração com um bolo, um brinde, um gesto, o Salvador seja visto. Não apenas nesse dia, essa é a nossa missão. Fomos feitas para ela, mesmo que sejamos vistas como mulheres perdidas no deserto, comeremos mel silvestre (mas é mel!!!) e anunciaremos o Cordeiro de Deus, o único capaz de tirar o pecado do mundo.

Feliz Natal minhas queridas! Que a gloria  do Salvador nos cubra. Só uma mulher que se preenche em Cristo a cada dia pode como João Batista lutar contra o sistema e entender que há um propósito maior do que eu e o Salvador nos designou para Ele. A Ele a gloria, hoje e sempre em nós que somos sua igreja.

sábado, 29 de outubro de 2016

Recursos para apresentar o plano da Salvacão

Olá a todos,
Paz do Senhor!!!

Um dos princípios mais importantes com que me deparei quando tive meus filhos foi de que Deus os entregou a meu esposo e a mim como nossa máxima responsabilidade. Com o tempo e a busca por orientação divina através da Bíblia, eu me deparei com a clara constatação que qualquer área da educação de meus filhos é uma responsabilidade minha.

Sim! Eu posso contar com o auxilio de outras pessoas, mas biblicamente a maior responsabilidade é dos pais. Não adianta terceirizar, Deus confiou a você e a mim! Quando falo isso em  diferentes contextos, acabo falando sobre a necessidade de apresentarmos aos nossos filhos o plano da salvação. Sempre falo também da necessidade de, antes de tudo, compreendermos pela palavra a salvação que recebemos e de termos nós mesmos essa certeza (de que somos salvos). É bem verdade que podemos falar de modo simples, apenas usando palavras ungidas, na medida em que saem da boca de servos de Deus, mas há recursos que nos ajudam a falar da mensagem da salvação para os pequeninos.  Não há nada de novo em empregar recursos para falar do  amor do Senhor. Jesus usava diferentes elementos para explicar as verdades do céu o tempo todo. Ele usava a natureza ao seu redor e parabolas  para tornar simples as verdades do reino.

No entanto, embora se trate de crianças, e elas sejam bastante atraídas por recursos, tenho tomado o cuidado de me esforçar e orar para que a mensagem seja mais importante que os recursos. Uma mensagem baseada na palavra viva, cheia da graça infinita de Deus, mesmo que em simplicidade é eficaz. Também quero alertar você que Deus não espera que você tenha uma graduação em Pedagogia ou Psicologia Infantil, nem um curso em evangelismo infantil para que fale aos seus filhos da salvação. O que tenho visto e aprendido é que cada mãe tem um "cajado na mão'' dado por Deus. Algumas são boas com recursos visuais, outras falam com facilidade com crianças, outras sao uma verdadeira caixinha de surpresas e eu poderia fazer uma lista sem fim.  No entanto, o que posso afirmar com certeza é que  todas as mães que se põem nas mãos de Deus e se deixam tomar pelo amor divino gracioso e grandioso que as faz chorar pela salvação dos filhos recebem de Deus o necessário para serem instrumentos vivos na vida de seus filhos.

Portanto, aquilo que pregamos aos nosso filhos, a mensagem da cruz, propriamente, deve ter lugar central. Sim! Ao falarmos do plano da salvação , a mensagem deve ser mais importantes que tudo. Quanto mais impactados as crianças forem pela mensagem, quanto mais for evidente um coração compungido, arrependido diante de Deus e consciente que é um pecador , maior é o ganho. Se nossos filhos, alunos de classe bíblica ou crianças que evangelizamos sequer lembrarem de nós e dos nossos recurso, mas lembrarem da mensagem, ela terá sido efetiva. Lembro muito da minha mãe, quando falo sobre esse tema. Eu sempre fui uma criança que precisava ser convencida. Sempre tinha perguntas a fazer. Ela sempre me falava do Senhor. Então, num belo dia, ela tinha saído para visitar enfermos e meu pai estava no patio do templo resolvendo problemas . Eu peguei um livro para ler e, através dele, o Senhor tocou meu coração. Tudo que minha mãe falava sobre o Salvador fez sentido e eu abri meu coração e convidei Jesus para ser Senhor da minha vida. Não aceitei Jesus com ela, mas a semente que ela plantou brotou e quando ela chegou em casa eu estava chorando agarrada com o livro, recebendo Jesus como meu único e suficiente salvador(como gosto dessa expressão, único e suficiente). Que Deus nos dê a graça para que sejamos portadores de sua mensagem e para que, como João Batista, queiramos que ele cresça mesmo que o efeito direto seja nós diminuirmos  ou até sumirmos. 

Feita essa observação, que me parece crucial, gostaria de apresentar um recurso que a bastante tempo ajuda muitos evangelistas infantis a falarem do Senhor para os pequeninos: o Método das cores ou, como é mais conhecido, o método do Livro sem Palavras. O livro sem palavras é proveniente de um sermão pregado por Charles Haddon Spurgeon numa noite de quinta-feira no Tabernáculo Metropolitano em Newington, Londres. Spurgeon usou, na ocasião,  como texto base o Salmo 51:7 : ``Lava-me e ficarei mais branco que a neve''. Ele se referiu naquela ocasião  a um velho ministro que usava um livro com 3 cores e sem palavras. Nesse sermão, ele faz uso das cores preta, branca e vermelha para simbolizar o plano da salvação. Hoje, o recurso é utilizado com cinco cores e é de uso geral com crianças . As cores são preto (ou uma cor escura, há quem use marrom, há quem use uma folha manchada), vermelho, branco, verde e amarelo (ou dourado).

Imagem:ke.artes.zip.net


O livro sem palavras é um recurso de fácil confecção:





Apesar dessa ser a versão mais simples do uso das cores para falar da mensagem da salvação, outros recursos podem ser empregados usando as cores. Vou postar alguns aqui:



Dedoches com as cores
Imagem: Elo 7

Fitas
Imagem:Telma Raquel



Corações de Cartolina Color 7
Fonte:Crianças para Jesus



Fiz a escolha dos métodos que me parecem mais simples. Todavia, há uma infinidade de recursos mais atrativos e complexos que ficam para as mamães mais prendadas. É muito importante usar a Bíblia ao falar do plano da salvação e usar versículos bíblicos para embasar cada etapa da mensagem. Cada cor tem uma simbologia:


A cor preta ou escura simboliza o pecado e seu efeito sobre o homem, a cor vermelha o sangue de Cristo, o branco retrata o perdão dos pecados, o verde é usado para falar da vida nova em Cristo e o dourado ou amarelo simboliza o céu. Ao falar de cada cor, é importante usar versículos bíblicos e não perder o foco principal. 

Falemos de Jesus aos nossos pequeninos! Falemos sem hesitar! Falemos por todo o tempo que pudermos! 

Espero que nosso Deus nos transforme em pescadores de crianças para o Mestre e que nossos filhos, sentindo o gozo da salvação espalhem a preciosa semente! 

domingo, 25 de setembro de 2016

O que você pode esperar do professor do seu filho

A vocação do nosso País para polêmicas não se esgota. Uma das últimas foi a proposta de reforma curricular do ensino médio. Como eu sempre escrevo sobre as coisas quando a poeira baixa, pois meu timing é meio confuso, não é sobre isso que vou falar. No entanto, há um tema do qual tento falar a meses. Creio que agora chegou a hora. Quero falar da discussão  instaurada pela proposta do projeto de lei Escola sem Partido apresentada pelo senador Magno Malta. O projeto tenta abordar a tentativa de hegemonia de tendencias ideológicas na nossa sociedade e a forma como ela se traduz na escolarização de crianças e adolescentes e na formação universitária. O eixo temático que vejo aferventar a discussão  é o direito ou não do professor de uma escola ou universidade enviesar suas aulas de uma forma que leve a uma flagrante doutrinação ideológica. Essa discussão foi fomentada por setores da sociedade que passaram a divulgar denuncias sobre o tema, apontando para fatos acontecidos em sala de aula ou conteúdos contidos em livros didáticos.

Qualquer pessoa com um minimo de bom senso sabe que o que cremos e pensamos é parte de nós. É possível ser neutro em qualquer fazer? É possível tirar nossas crenças e convicções como quem tira um jaleco ao fazermos nosso trabalho? Não, não o é! Então, estou eu defendendo o que chamaremos de doutrinação ideológica e definiremos como o ato de tentar persuadir alguém à própria crença? Não estou!

Assumindo essas premissas, logo decorrem questões práticas. Posso esperar que um professor que leciona ao meu filho seja neutro? Devo pretender que meu filho nunca se depare com um discurso que põe em dúvida a fé que eu queira deixar-lhe como legado? Não é essa a questão que se impõe a mim como mãe cristã que sou. Enquanto escrevo este post, eu penso nos pais que têm seus filhos nas escolas e nos professores que tem sua subjetividade e seu olhar transpassado por sua percepção da realidade. É possível resolver esse dilema? É possível ter bom senso ao abordar esta questão? Creio que  sim.

Como mãe, eu sei que qualquer autor de programa de TV ou livro, qualquer professor, qualquer pessoa que conviva com meus filhos só poderá compreender as verdades que compõem o eixo central da minha fé se experimentarem o novo nascimento  e tiver um olhar contextualizado e cuidadoso para os elementos que norteiam a forma como vivemos. Mesmo quando se trata dos meus filhos, só posso esperar que vejam certas coisas se experimentarem igualmente o novo nascimento. Sei também que a maternidade intencionalmente cristã inclui ouvir dos meus filhos muitos questionamentos e não desistir deles e orar para que Deus faca a obra na vida deles. No entanto, há uma expectativa que pode ser coerente e respeitosa com os meios a partir dos quais as informações emanam. Posso esperar dos professores e dos meios de informacão, em geral, um minimo de respeito e bom senso e do que vou nomear honestidade intelectual. Deixem que fale disso a partir de exemplos.

Fui aluna e professora universitária por alguns anos. Entrei numa universidade pública no fim da minha adolescência e saí de lá quando meu primeiro filho estava no seu primeiro ano de vida, aos 34 anos. Foi um longo caminho. Sou cristã convicta. Não é difícil identificar isso visualmente, nem é preciso que abra a boca e já se sabe a que grupo cristão pertenço. Nunca deixei de ter uma Bíblia comigo nas minhas idas e vindas no campus. Já presenteie alunos com livros cristãos que viram sobre minha mesa e me pediram pra ler. Já recebi pedidos de alunos para que orasse por eles nas minhas horas vagas e já orei por uma colega deprimida e perdida num intervalo. Muitas vezes, com a sala de professores vazia ou o laboratorio de que fazia parte silencioso, no meu intervalo de almoço, alguém me flagrou no cantinho com os olhos fechados e me perguntou: você estava orando ou meditando? Posso interromper você? Você é pastora Ana? Você consegue ser crente, mesmo sendo quase doutora? Não é contraditorio ser pesquisadora e cristã?. Nunca escondi quem sou. Isso nunca me impediu de fazer o meu papel! Nunca deixei de ministrar os conteúdos em coerencia com a ementa posta. Tive orientando de monografia e prática de pesquisa e alunos das mais diversas orientacões e confissões de fé. Muitos colegas de diferentes crenças o faziam também. Não, eu não era a única! Conheço também irmãos pedreiros, marceneiros, motoristas e de tantas outras profissões que pregam nas horas de almoço, cantam louvores enquanto batem pregos, mas entendem que foram pagos para fazer um trabalho e ali precisam ser bons profissionais e ter parâmetros. O fato de falar da mensagem da cruz é importante, mas eles foram pagos para fazer um trabalho e precisam entrega-lo.


Todavia, a despeito dos casos apresentados, precisamos discutir o que pode e o que não sob o guarda-chuva da liberdade. O que dizer do professor adepto de filosofias orientais que em vez de dar aulas de Introdução à Sociologia no curso de filosofia resolve fazer meditação com os alunos e ensinar psicologia transpessoal  e ao ser questionado pelo aluno cristão crê estar nele (o aluno) o problema?Ou o que dizer do professor de Jornalismo que diz olhando para uma aluna cristã que quem é cristão de tal grupo nao deveria estar ali porque tem os olhos vendados para a realidade e é preconceituoso? O que dizer do professor que não admite que um teórico com visão liberal de econômia seja objeto de discussão da aula ministrada  por um outro colega e invade a sala de aula do mesmo fazendo ameaça velada e dizendo que lutou muito para que aquela forma de pensar seja banida da academia? Ou o que pensar daquele que ao criticar a confissão religiosa do aluno não permite que o mesmo mostre as lacunas historicas e contextuais da critica feita totalmente fora do conteúdo?

As disciplinas na universidade têm uma ementa que é um norteador temático que propõe eixos curriculares ao conteúdo ministrado. Como professora, eu podia e qualquer colega pode escolher bibliografia, a forma de abordar o conteúdo e trabalhar com ele o caminho temático e abordagem. Ao fazer escolhas, eu preciso pensar nas diferentes abordagens e naquilo que é importante que meu aluno conheça, o que é uma escolha seletiva e já inclui e exclui conteúdos. Sim, essa é uma escolha em que minha subjetividade, conhecimento e trajetória vão estar presentes. No entanto, quando eu permito que minhas escolhas se sobreponham ao que a ementa da disciplina propõe, isso pode e deve ser questionado. 

Nas escolas, nas universidades, nos centros de ensino em geral, quando o aluno se matricula o faz em uma escola que tem um projeto pedagógico. Fora esse projeto, há também parâmetros curriculares que definem eixos temáticos, minimamente.No ensino universitário temos a ementa da disciplina e nas escolas no geral temos os parâmetros curriculares. Em nome da liberdade de pensamento e expressão do professor não posso me contrapor à lei ou fazer um proselitismo em que autores fora da minha abordagem sejam excluídos. Que liberdade de expressão é essa que permite a um professor dizer em sala de aula que o aluno que tem determinada crença não serve para determinada profissão? Que liberdade de pensamento e expressão é esse que desrespeita a existência de outros autores que tratam do tema a partir de um diferente paradigma e tolhem o aluno do direito de conhece-los? Que liberdade de expressão é essa que faz o professor combinar com o que ele chama de ``galera inclusiva''e vestir meninos de meninas na escola de educação infantil?

Creio que um professor possa manifestar sua opinião sobre um tema. Ele pode inclusive deixar claro sua visão de fenômeno e sua critica a outras visões de mundo, mas não pode se valer do lugar de professor para tolher o direito dos alunos de compreenderem um fenômeno, a partir de um outro paradigma. Creio que ele não pode substituir eixos curriculares por temas que respondam ao seus interesses em detrimento aos eixos educacionais apresentados aos pais e aceitos por esses como parâmetros. Você pode ser uma professora feminista, mas não pode esperar que ao fim do semestre todos sejam feministas e deve conviver tranquilamente com o aluno que não abraça essa visão de mundo e até se contrapõe a essa visão. Caso sua paixão seja tão grande que leve você a não conviver pacificamente com o aluno que o interpela e diz não aceitar sua visão, muitas vezes de forma critica e fundamentada, seu lugar não é na sala de aula, é na militância do movimento feminista. Outra alternativa é abrir uma escola de confissão feminista e convocar pais para que lá matriculem seus filhos.

Um outro aspecto que deve ser tratado é o que acima chamei de honestidade intelectual. Minhas criticas não podem fugir à margem interpretativas deixadas pelas premissas de outras teorias. Já vi, por exemplo, gente fazendo critica ao cristianismo sem qualquer fundamento. Na academia já ouvi as citações mais bizarras (inexistentes, mesmo) e fora de contexto. Já ouvi que para os cristãos o fruto proibido  do Edem era o sexo e já ouvi interpretações sobre textos bíblicos de quem sequer leu os textos que critica. Já vi até gente confundir frases do cancioneiro popular com palavras do Apostolo Paulo. Isso é desonesto e desleal. Nem é doutrinação, é cegueira ignorante, dissonância cognitiva!

Tenho minhas resistências, discordancias e diferenças teoricas com muitos pontos da psicanálise, por exemplo. Essas criticas foram calcadas em anos de estudo da Psicologia. O humanismo psicológico também  não me representa e me parece estar em antagonismo com a visão bíblica de homem. No entanto, não posso para cooptar adeptos distorcer palavras, dizer sem fundamentos coisas sobre Carl Rogers e Freud que sem qualquer conhecimento em suas teorias e biografias. Se vou critica-los, que o faça honesta e fundamentadamente.  Ou seja, preciso me debruçar e estudar para criticar.

Eu acho sim que precisamos discutir certas coisas e separar o que é liberdade de expressão e pensamento do que é militância cega e ferrenha. Como pais, creio que devemos ter espaço na discussão da questão. Não fiquemos de fora. Nosso reino não é aqui, mas há pelejas que são nossas e não devemos nos omitir. Deus nos ajude!