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terça-feira, 6 de maio de 2014

Depressão pós-parto- A maior prevenção é exercer o amor com a mamãe!



Toda mudança na vida que é significativa tem a potencialidade de se tornar objeto promotor de saúde mental ou de adoecimento. Muitos momentos  que marcam o desenvolvimento humano são considerados momentos suscitadores de crises que podem ser chamadas crises constitutivas. Constitutivas, porque são momentos que se tornam cruciais para o desenvolvimento daquele individuo.

Na vida de uma mulher, um desses momentos de bastante relevância emocional, física e afetiva é a gravidez, o parto e o pós-parto de cada filho. O corpo, a mente e o espirito de uma mulher se tornarão, inevitavelmente, diferentes depois deste marcante evento, pois carregarão em si uma historia de uma relação que é não só biológica porém também afetiva. Isto, inclusive, ocorre de forma diferente em cada processo, quando temos mais de um filho.

Na gravidez, muitas mudanças ocorrem. Há toda uma carga de hormônios que preparam o corpo da mulher para o nascimento de seu filho. Há,  também expectativas sobre uma série de coisas envolvidas na maternidade. Por esta razão, este é um período tão critico na vida de uma mulher. Ela tem que  lidar com uma série de mudanças que muitas vezes não são suportadas e ainda recebem todo  um acréscimo de fatores neuropsicológicos e hormonais. Então, este momento propicia o aparecimento de quadros emocionais diversos podendo tornar-se problemáticas mais  graves como a depressão pós-parto que pode ser brutal para este momento inicial do vinculo mãe-bebe e para a própria preservação da saúde mental da mãe.
É muito importante que sinais emocionais que se prolonguem sejam observados. Não vamos patologizar tudo! É normal ter uma certa instabilidade emocional na gravidez e durante os primeiros momentos de exercício da maternidade, mas  é importante atentar para pensamentos fixos, apatia generalizada, quadros de ansiedade muito forte, dentre outros.

Talvez um dos agravantes hoje em dia (não estou falando de causa, mas de fatores que propiciam o aparecimento de quadros de depressão pós-parto), seja a forma como nossa sociedade  se rege. No tempo de nossas avós, o período do pós-parto era sabiamente respeitado e a mãe recente recebia apoio de uma rede familiar de cuidados que se estendia sobre ela. Hoje, vivemos numa sociedade frenética e muitas vezes a gestante e a mãe recente não encontra o suporte e apoio emocional necessário e tem que lidar sozinha com as cobranças sociais sobre os cuidados do recém-nascido, as mudanças na imagem corporal, a solidão e muitas vezes a exaustão física a que o período de adaptação nos submetem. Além disso, não é só a mãe que se adapta ao novo filho e nova rotina, mas a criança também está se adaptando ao novo mundo e a mãe é a porta de entrada deste processo.


Bom, resta dizer que nesse tempo é primordial que a  mãe se sinta apoiada e acolhida pelo marido e por pessoas próximas, mesmo se o quadro de adoecimento já se evidencia, isto ajudará. Não cobrar muito de si e se entregar a esse novo momento é muito importante. Esta é também a hora de buscar conforto em Deus e força, pois não é um processo fácil. Se você não vive este momento e perto de você alguém vive é hora de exercer a caridade e apoiar, da forma que lhe for possível. Uma noite de sono, uma tarde com ajuda, uma conversa encorajante, fazem toda a diferença. A solidão nem sempre é a causa da depressão, mas é o seu principal alimento. Cuidemos uns dos outros! Perto de você pode haver uma mãe sofrendo por traz de um sorriso. Este tipo de sofrimento é mais frequente do que pensamos.  Se você, mãe em pós-parto, está sofrendo procure ajuda em Cristo e nos que lhe cercam. Deus sempre tem samaritanos a beira do  nosso caminho.

Imagem:deacondance.com

Nota da blogueira: Este é um texto que escrevi para o jornal AdNews, em sua última edição. Nesta semana das mães postarei textos novos e antigos em que trataremos dos cuidados com as mamães e não com os filhos! Estes são os planos…vamos ver se minha turminha deixa!!!

terça-feira, 22 de abril de 2014

Os pequenos e o interesse da industria neles

Paz a todos!

Hoje estou postando um texto escrito pela minha amiga Adna. Nele fica claro como o mercado tem como foco as crianças. Que estejamos atentos aos nossos pequeninos!







E dar-lhes-ei meninos por príncipes, e crianças governarão sobre eles.
Isaías 3:4
Acabo de voltar de uma palestra do Shopping para lojistas. Apesar de sempre ser convidada, pois todo mês eles trazem um novo palestrante, essa é a minha segunda palestra. 
A de hoje foi com o Marcelo Tas, do CQC. Ele falou sobre as redes sociais e seus efeitos colaterais. Começou sua palestra falando sobre as crianças. Terminou com elas. Interessante que a outra palestra, também com um palestrante renomado, enfatizou muito as crianças. Sendo que, da outra vez, o foco era as vendas, isto é, a criança como consumidor. 
Qual a leitura que faço de tudo isso?  Hoje, tudo gira em torno das crianças: o mercado, as redes, os programas televisivos (ah, sobre isso o Marcelo Tas disse que há várias crianças menores de 3 anos que o assistem – disse como se isso fosse uma benéfica revolução de paradigmas), as propagandas, tudo tem como foco a criança.
Outra fato que confirma isso que estou dizendo foi uma conversa que tive com uma diretora de uma renomada escola aqui de Recife. Ela me disse que a escola estava “educando” os adultos através das crianças. Disse-me que essa foi a melhor maneira de fazer os pais escutar que não se pode jogar lixo nas ruas, não se pode gastar água, etc e tal. Acrescentou que havia tentado outras formas, mas nenhuma havia se mostrado tão efetiva quanto àquela.
E então, cumpre-se o que falou o profeta Isaías: “dar-lhes-ei meninos por príncipes, e crianças governarão sobre eles”. 
Ao sair de cada palestra, meu coração chorava. Chorava por saber o quanto nossas crianças são queridas por seus algozes e o quanto nós, seus responsáveis, as desprezamos. Enquanto pais terceirizam a criação de seus filhos entregando-os às escolas, creches, babás ou televisão, os predadores avançam com tudo em cima deles. Praticamente tudo é planejado para atingir as crianças. Mas que tipo de criança? Justamente essas, abandonadas pelos pais. Imagina, uma criança sozinha e carente encontra lá fora um mercado que se projeta nelas. O resultado disso? O que vemos hoje: crianças que mandam em seus pais, que recebem das leis coberturas especiais para extravasarem sua natureza má, que parecem ter o rei na barriga, incapazes de enfrentar contrariedades, futuros adultos que não respeitarão patrão, pastor, marido, esposa, a sociedade em que vivem.
Cada dia fico preocupada com isso. Saio de cada palestra mais convicta de que ali não é o meu lugar. Saio convencida de que eu preciso chegar primeiro na vida das crianças que Deus me deu. E então eu volto para o meu lar. Quando chego em casa, encontro três lindas crianças com os olhos brilhando, esperando de mim amor, apoio, conforto, consolo, disciplina, liderança firme. Vejo que o papel mais importante a desempenhar em toda a minha vida é ser esposa e mãe. Então sinto que sou extremamente abençoada por poder ficar em casa cuidando delas. O mundo diz que sou tola. Algumas colegas olham pra mim com desprezo. Outras acham que sou intelectualmente inferior. Não importa. Falo como Karen Santorum, quando aperto o botão para avançar o filme da minha vida e, no final dela, me vejo diante de Deus, sei que terei de prestar contas desse amor.
Os algozes sabem que quanto mais cedo inculcarem suas ideias, mais adeptos ganharão no futuro e menos pessoas amarão a Deus. É isso que o mundo quer. O mundo investe pesado em nossas crianças porque sabem que não há adultos que moldem os seus gostos e escolhas. O mundo tem a liberdade para fazer deles o que bem quiser e os adultos apenas assistem passivamente a destruição da sociedade.
Na verdade, crianças não governam, crianças reinam. O inimigo delas sabe bem o mal intrínseco que há nos seus corações. Ele sutilmente ocupa os pais. Depois, faz eles se sentirem culpados por não ter tempo. Mas, aí ele diz: “você não tem tempo, mas tem dinheiro!”. E os pais caem na armadilha. Pela lógica infernal, agem como se amor fosse prazer. E então eles entregam os melhores anos de seus filhos aos cruéis. A mente que arquiteta tudo, o príncipe das trevas, ganha espaço naquele pequeno coração e este passa a ser seu escravo. Escravo dos seus gostos, do seu ego, do seu pecado. 
Uma sociedade que é governada por crianças, é governada por isso mesmo: pela cobiça, orgulho, mentira, intrigas, pois é isso o que vem naturalmente do coração do homem, especialmente das crianças sem disciplina.  
Termino com as palavras de John Adams aos pais que me leem: “Os alicerces da moralidade nacional devem ser lançados nas famílias particulares”. De nada valerá investir em boas escolas, comprar boas roupas e possuir belas casas, dar-lhes todo o conforto, se maus hábitos estão sendo incutidos nas crianças em seus primeiros anos. Nós, mães, somos as primeiras e mais importantes mestras na vida de nossos filhos. Chegue primeiro. Deus lhe pôs aí para isso mesmo.
Que o Senhor nos ajude a nadar contra a correnteza e o rio da cultura mundana.

Adna Souza Barbosa*

* Adna é mãe de três lindas crianças, Letícia, Laís e João Luíz Neto, casada com Luciano, dona de casa e nas horas que lhe é possível excelente fotografa e flautista.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Cheguei a uma conclusão: precisamos de crianças!


Uma vez ouvi uma frase que não lembro a quem pertence e quem a replicou para mim que dizia que uma sociedade se revela pela forma como trata suas crianças e seus idosos. Se aplicarmos este parâmetro para avaliar nosso mundo temo que teremos uma das mais pessimistas perspetivas.

Como este é um blog sobre maternidade, vou me ocupar de falar de uma impressão que me persegue, não sei se alguma mãe ou pai atento e leitor deste blog terá a mesma impressão que eu. Às vezes, eu sinto que vivo num mundo avesso à existência de crianças, um mundo hostil à crianças, parece que antes que sejam feitas laqueaduras e vasectomias nos pais, são feitas esterilizações na alma das pessoas, mesmo daquelas que não têm mais idade de tê-las ou que ainda as terão. Eu sou uma mãe canguru. Sempre que possível levo minhas crias no bolso para todos os lugares que posso. Eu gosto de estar com eles. Desde que fui tia ou antes disso, quando adotava os filhos das amigas já era assim. O que sinto é que em poucos lugares, espaços e corações crianças  são aceitas com naturalidade.

Eu costumo passear com meus filhos pelo bairro. Sempre que possível ponho Beatriz no carrinho e Benjamin de guardião ao lado e saímos explorando a rua antes que o cheiro de poluição do horário de pique chegue. Costumo também ir a pé com Benjamin a feiras públicas e supermercados próximos de casa. É tristemente engraçada a reação que isso causa nas pessoas. Para alguns isto vira atração, para outros incomodo. os cachorrinhos saem às ruas. Eles passeiam com seus donos, já as crianças não. Vejo os olhares que vão desde curiosos e admirados até incomodados como se meus filhos estivessem  no lugar errado ou fossem de porcelana e fossem quebrar, especialmente Beatriz.  

http://adnasb.blogspot.com.br/
As coisas normais da infância parecem incomodar.  O que se diz de ter filhos é que estes atrapalham o romance, tomam tempo, custam caro e devem o quanto mais cedo possível se virarem sozinhos. Não é raro que uma mãe escute um comentário dizendo-lhe que a infância do filho logo, logo vai passar como se a infância de nossos filhos fosse como um resfriado que você espera ansioso que acabe. Este é o mundo que vivemos! Crianças servem pra expor um pouco e tirar fotos e pronto! Tranquemos a criançada  em casa, torçamos para que cresçam e Deus tenha piedade de nós. Não é a toa que a industria do entretenimento infantil cresça tanto. Ninguém quer os filhos junto a si!!! Ninguém tem tempo para eles! Eles sujam, choram, exigem tempo e dedicação. Arrumemos então o que façam, de preferência longe de nós.

Nos restaurantes que frequentamos que as babás se encarreguem deles numa mesa separada, como se eles tivessem uma especie de  praga ou doença contagiosa. Na igreja, um dia desses ouvi de uma irmã que no berçário (que é um lugar pra mim pra trocar fralda, alimentar, etc)  deveríamos procurar enfermeiras para cuidar dos filhos para que as mães assistam o culto na santa paz. Nas férias devemos arrumar o máximo de atividades para que não quebremos as unhas feitas brincando na areia, sujemos a roupa com o sorvete do filho, nem tenhamos o transtorno de lidar com uma criança sendo criança. O que se diz sobre eles?  São barulhentos, tomam tempo, dão trabalho e devem ao máximo ser evitados nos programas dos pais. É comum uma mãe precisar de ajuda e alguém pensar ou dizer algo que demonstra que muitos adultos pensam nas crianças como uma bomba relógio ou uma obrigação chata.  Um dia desses, uma pessoa que trabalhou comigo ligou pra mim e Benjamin estava puxando minha saia tentando me falar algo. Pedi compreensão do outro lado e perguntei a ele se podia esperar. Ele me falou de um incomodo físico e eu pedi a minha interlocutora para retornar a ligação posteriormente, depois de checar o que de fato ocorria. Ela grosseiramente me disse pra chamar a babá. Eu falei que não tinha. Ela replicou dizendo que enquanto eu escolhesse chafurdar entre fraldas nunca iria pra frente. Eu estava, para ela, parada na infância de meus filhos. Paciência! Sou mãe! Eu não parei no tempo e no espaço! Eu só tenho que muitas vezes me abaixar e deixar que meus passos sejam dados na perspetiva dos pequenos.  Crianças choram, brincam, pulam, arrumam diversão em tudo, precisam de atenção e direção. Elas não remendam casamentos acabados, elas trazem a luz essas feridas para que sejam tratadas. Elas não nos tiram o direito a viver, elas mostram as nossas reais prioridades. Elas não nos atrapalham, elas nos desaceleram. Quer ver alguém angustiado? Diga-lhe que adiou um projeto pessoal pelos seus filhos.

No entanto, deixe-me remar contra a maré. Este mundo precisa prestar atenção em suas crianças. Sim, porque elas precisam! Também porque precisamos delas. Você conhece uma mocinha fútil e arrogante? Torça pra que um dia ela seja mãe e se deixe tocar pela maternidade de fato!!! Você conhece um filho mimado que casou mas não assume suas responsabilidades adultas? Torça para que ele de fato seja tocado pela responsabilidade que é ser pai de verdade! Você quer desacelerar alguém que corre desenfreadamente? Ponha uma criança em sua vida e peça a Deus pra que essa pessoa segure a mão do pequeno. Este mundo que corta o prazer da presença das crianças, precisa é delas. 

Um dia desses, eu ouvi alguém dizer que sou dependente dos meus filhos tanto quanto eles são de mim. Eu ri. De fato é verdade. Eu precisava ser mãe deles tanto quanto eles precisam de mim. Ser mãe expõe nossas imperfeições, exige-nos tratar nossas feridas e encarar nossos fantasmas. A maternidade demanda de nós o entendimento de que somos imperfeitas e inacabadas na oficina do nosso Mestre. Nossos filhos fazem ruir nossas respostas prontas e nos fazem correr ao altar do Senhor implorando por misericordia e sabedoria. Deus sempre dará aos pais os filhos que potencialmente podem aperfeiçoa-los. Eu preciso dos meus filhos! Eles afloram o melhor em mim e expõem o que há em mim de ruim para que seja tratado. Sabe porque este mundo anda tão cruel, mesquinho, hiperativo e louco? Porque deixamos de prestar atenção nas crianças. Tem uma criança perto de você? Quer se fazer um grande favor? Passe mais tempo com ela!

Enquanto escrevo estou ouvindo uma canção cristã chamada Saved by love (salva pelo amor) escrita por Amy Grant sobre sua irmã. Ela descreve a vida de uma mulher salva pelo amor de ter sua familia para cuidar no dia-a-dia. Essa canção me descreve. Todo dia meus filhos me oferecem a mão pra me salvar de mim mesma: de ser egoísta, mesquinha e de só buscar o meu interesse, de achar que sou melhor no que faço, etc. Cada madrugada que acordo, aprendo a não considerar a mim mesma superior aos demais e a ter um coração solidário. Cada dificuldade dos meus filhos para a qual não tenho resposta expõe minha dependência e fragilidade…quando eles crescem e fazem algo sem mim, eles me lembram quen não sou dona das pessoas, inclusive deles…
Você duvida? Eu precisava ser mãe!!! Talvez alguns de vocês sejam bons o suficiente para não precisarem disso. Eu não sou. 

Tenham uma boa noite! Cerquem-se de crianças!!! Mas permita-me um conselho, veja por um instante a vida a partir delas. Se as suas cresceram, vá brincar com seus sobrinhos e netos, especialmente se você perdeu o brilho no olhar. Isso é terapêutico!