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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

A última de Benjamin


   Hoje estava com Benjamin na sala. Ele trabalhando em sua torre e eu      lendo um livro. Ele chegou:

   - Mamãe, eu sou teu filho e tu me ama?
   - Claro, meu amor.
   - Você diz obrigado a Jesus porque tu tem mim?

    Diz ele em seu português ainda falho de garotinho de três anos.

- Sim, meu lindo.
- Obrigado mãe! Eu também gosto de tu ser minha mamãe linda.

Ele voltou a brincar... Eu ainda estou secando a baba...
Quem nunca teve esse momento com os filhos?

E o povo ainda acha que minha realização devia ser outra...
A maternidade não é só essas coisas belas, mas também é isso!













Imagens: Primeira- Foto de família registrada por Pedro Henrique
                                                                         Segunda- Foto de família registrada por Adna S.  
                                                                         Barbosa

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Educativo? Tem certeza?!

Vez por outra eu me pego interrogando a mim mesma uma mesma questão: que tipo de coisa ainda vão inventar sobre o rotulo de brinquedo educativo? Um dia desses fui a uma loja de brinquedos comprar um quebra-cabeça pra Benjamin como prêmio por sua coragem ao tomar vacina (aqui em casa comemoramos atos de coragem mesmo quando acompanhados  de lagrimas),  quando chegamos lá  havia um brinquedo horroroso e Benjamin que tem um fascínio por animais logo me perguntou que tipo de bicho era aquele. Eu respondi que aquele não era um animal, era apenas um brinquedo inventado. Ele disse: mamãe os animais que Papai do Céu inventou são mais bonitos. Embora eu saiba que há bichos que não agradem a todo gosto estético, num mundo em que criança brinca com meninas monstros, eu tenho mesmo é que concordar.

Passaram-se alguns dias e uma amiga telefonou  pra me sugerir dar uma olhada num brinquedo chamado Furby  que é basicamente um brinquedo para a criança cuidar e se ocupar dele. Sobre o pretexto de ensinar as crianças a exercerem o cuidado com outros seres-vivos, lá vai mais uma invenção da moda caríssima sobre o rotulo banalizado de brinquedo educativo. Afinal, hoje em dia, qualquer coisa é educativa.

O famoso bonequinho, que segundo minha amiga é a febre do momento entre as meninas cujos pais podem dar algumas notas de R$100,00 num brinquedo maluco, reproduz necessidades e demandas humanas tais como ser alimentado, acariciado e não sei mais o que. Quando suas pseudo-necessidades não são satisfeitas, ele muda de comportamento chegando a ser enlouquecedor e até descrito por alguns pais nas redes sociais e blogs como assustador.

Bom, o argumento usado comercialmente é que este brinquedo é educativo pois ajuda a criança a aprender a exercer cuidados e a ter responsabilidade e a perceber o que acontece com quem é negligenciado. Pra mim pra balela. Piada de péssimo gosto para uma sociedade que negligencía o tempo inteiro suas crianças. Vamos direto ao ponto:
1- Em primeiro lugar, acredito que um brinquedo que queira ser educativo tem que permitir à criança exercer sua criatividade e imaginação. O que este brinquedo não faz, pois é daqueles que propõe papeis e demandas a criança, em vez de deixar que este exerça sua criatividade.
2- Pelas reações descritas por aqueles que o possuem, ele pode gerar medo e reações indesejadas à criança, já que ao mudar a forma de reagir o mesmo se torna perturbador, como se tivesse uma especie de distúrbio de personalidade, dizem alguns. Um pai ou uma mãe, por exemplo que dá o tal boneco para um filho na fase do medo estará exacerbando uma reação da criança e em certos casos, embora não possa gerar doença, pode ser fator agravante de problemas psicológicos numa criança que já esteja enfrentando dificuldades. Quando uma criança brinca com um boneco ou boneca comum, ela cuidará dele como sua maturidade emocional  permitir. Esse brinquedo, pelas pesquisas que fiz, demanda de uma criança a responsabilidade que um adulto ao cuidar de um ser mais frágil. Elas, com certeza, não estão prontas para isto.  Quando uma menina, por exemplo, brinca de mamãe com sua boneca, ela o faz de acordo com a compreensão que tem do  exercício dos cuidados maternos. Ela não é o tempo  inteiro solicitada por um boneco que não pode ser negligenciado um só instante.
3- Quem precisa aprender a cuidar e ser responsável recebe tarefas, é ensinado a cuidar dos irmãos mais novos de forma adequada a sua idade. Eu sempre digo ao meu Benjamin que numa família os mais fortes cuidam dos mais frágeis (no sentido físico) para explicar o carinho e cuidado que deve ter pela irmã. Se queremos que aprendam a cuidar de um animal, compremos um mascote. No entanto, a industria sempre acha razoes educativas, nutritivas, politicamente corretas, etc. para suas invenções loucas.

Devemos ser vigilantes. Eu sei que é difícil explicar para um filho porque ele é o único a não ter isto ou aquilo. Contudo, se você quer viver de modo separado e diferente, esta é uma batalha da qual não pode se eximir. Seus filhos, provavelmente, não precisam desse brinquedo maluco! Além do mais se fizermos uma enquete, provavelmente nenhum criança deve ter se tornado um ser responsável por causa do tal do Furby.

Não, eu não desisti do blog!

Oi queridos e queridas,

Espero que tudo esteja bem com vocês!

Estes dias eu desejei por muitas vezes dar uma passada aqui. Muitas coisas do  cotidiano me inspiravam a escrever, mas o tempo é curto quando nossos pequenos adoecem e como a adenóide de meus pequenos é minha provação de fé, estive ocupada cuidando deles.

No fim do dia, eu era só uma exausta pessoa gripada querendo cama! Eis o motivo real de minha ausência por aqui. No entanto, hoje enquanto Beatriz dorme ao som de Mozart (ela gosta muito de música clássica…rs) e Benjamin está ocupado longe de mim, resolvi, antes de me ocupar da cozinha passar por aqui. Isso é andar no relógio da maternidade. Há dias mais calmos, dias mais cheios… mas cada um deles parece ser feito sobre medida para nos ajudar a desenvolver o fruto do Espirito, enquanto outros são desenhados para nos acalmar e dar um certo refrigério (aqueles que saem como planejamos ou até melhores). Com nossas lutas, acertos e erros todos eles são dias que fez o Senhor!
 Embora eu saiba, em minha própria pele, o quanto o contentamento parecer ser às vezes a última opção, devemos regozijar nossos corações (Sl 118.24) pois cada dia é uma oportunidade de Deus de crescer.

Inevitavelmente às vezes vou demorar um pouquinho a aparecer…nessas ocasiões eu vou fazendo borrões das coisas que tenho pra compartilhar e aos poucos vamos retomando. Vocês são mães como eu, sabem que as vezes nosso planejamento se torna apenas um plano de como queríamos que o dia fosse. O tempo não nos obedece, ele simplesmente passa e a vida segue!
Um abraço!

Espero poder voltar mais tarde...

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Cheguei a uma conclusão: precisamos de crianças!


Uma vez ouvi uma frase que não lembro a quem pertence e quem a replicou para mim que dizia que uma sociedade se revela pela forma como trata suas crianças e seus idosos. Se aplicarmos este parâmetro para avaliar nosso mundo temo que teremos uma das mais pessimistas perspetivas.

Como este é um blog sobre maternidade, vou me ocupar de falar de uma impressão que me persegue, não sei se alguma mãe ou pai atento e leitor deste blog terá a mesma impressão que eu. Às vezes, eu sinto que vivo num mundo avesso à existência de crianças, um mundo hostil à crianças, parece que antes que sejam feitas laqueaduras e vasectomias nos pais, são feitas esterilizações na alma das pessoas, mesmo daquelas que não têm mais idade de tê-las ou que ainda as terão. Eu sou uma mãe canguru. Sempre que possível levo minhas crias no bolso para todos os lugares que posso. Eu gosto de estar com eles. Desde que fui tia ou antes disso, quando adotava os filhos das amigas já era assim. O que sinto é que em poucos lugares, espaços e corações crianças  são aceitas com naturalidade.

Eu costumo passear com meus filhos pelo bairro. Sempre que possível ponho Beatriz no carrinho e Benjamin de guardião ao lado e saímos explorando a rua antes que o cheiro de poluição do horário de pique chegue. Costumo também ir a pé com Benjamin a feiras públicas e supermercados próximos de casa. É tristemente engraçada a reação que isso causa nas pessoas. Para alguns isto vira atração, para outros incomodo. os cachorrinhos saem às ruas. Eles passeiam com seus donos, já as crianças não. Vejo os olhares que vão desde curiosos e admirados até incomodados como se meus filhos estivessem  no lugar errado ou fossem de porcelana e fossem quebrar, especialmente Beatriz.  

http://adnasb.blogspot.com.br/
As coisas normais da infância parecem incomodar.  O que se diz de ter filhos é que estes atrapalham o romance, tomam tempo, custam caro e devem o quanto mais cedo possível se virarem sozinhos. Não é raro que uma mãe escute um comentário dizendo-lhe que a infância do filho logo, logo vai passar como se a infância de nossos filhos fosse como um resfriado que você espera ansioso que acabe. Este é o mundo que vivemos! Crianças servem pra expor um pouco e tirar fotos e pronto! Tranquemos a criançada  em casa, torçamos para que cresçam e Deus tenha piedade de nós. Não é a toa que a industria do entretenimento infantil cresça tanto. Ninguém quer os filhos junto a si!!! Ninguém tem tempo para eles! Eles sujam, choram, exigem tempo e dedicação. Arrumemos então o que façam, de preferência longe de nós.

Nos restaurantes que frequentamos que as babás se encarreguem deles numa mesa separada, como se eles tivessem uma especie de  praga ou doença contagiosa. Na igreja, um dia desses ouvi de uma irmã que no berçário (que é um lugar pra mim pra trocar fralda, alimentar, etc)  deveríamos procurar enfermeiras para cuidar dos filhos para que as mães assistam o culto na santa paz. Nas férias devemos arrumar o máximo de atividades para que não quebremos as unhas feitas brincando na areia, sujemos a roupa com o sorvete do filho, nem tenhamos o transtorno de lidar com uma criança sendo criança. O que se diz sobre eles?  São barulhentos, tomam tempo, dão trabalho e devem ao máximo ser evitados nos programas dos pais. É comum uma mãe precisar de ajuda e alguém pensar ou dizer algo que demonstra que muitos adultos pensam nas crianças como uma bomba relógio ou uma obrigação chata.  Um dia desses, uma pessoa que trabalhou comigo ligou pra mim e Benjamin estava puxando minha saia tentando me falar algo. Pedi compreensão do outro lado e perguntei a ele se podia esperar. Ele me falou de um incomodo físico e eu pedi a minha interlocutora para retornar a ligação posteriormente, depois de checar o que de fato ocorria. Ela grosseiramente me disse pra chamar a babá. Eu falei que não tinha. Ela replicou dizendo que enquanto eu escolhesse chafurdar entre fraldas nunca iria pra frente. Eu estava, para ela, parada na infância de meus filhos. Paciência! Sou mãe! Eu não parei no tempo e no espaço! Eu só tenho que muitas vezes me abaixar e deixar que meus passos sejam dados na perspetiva dos pequenos.  Crianças choram, brincam, pulam, arrumam diversão em tudo, precisam de atenção e direção. Elas não remendam casamentos acabados, elas trazem a luz essas feridas para que sejam tratadas. Elas não nos tiram o direito a viver, elas mostram as nossas reais prioridades. Elas não nos atrapalham, elas nos desaceleram. Quer ver alguém angustiado? Diga-lhe que adiou um projeto pessoal pelos seus filhos.

No entanto, deixe-me remar contra a maré. Este mundo precisa prestar atenção em suas crianças. Sim, porque elas precisam! Também porque precisamos delas. Você conhece uma mocinha fútil e arrogante? Torça pra que um dia ela seja mãe e se deixe tocar pela maternidade de fato!!! Você conhece um filho mimado que casou mas não assume suas responsabilidades adultas? Torça para que ele de fato seja tocado pela responsabilidade que é ser pai de verdade! Você quer desacelerar alguém que corre desenfreadamente? Ponha uma criança em sua vida e peça a Deus pra que essa pessoa segure a mão do pequeno. Este mundo que corta o prazer da presença das crianças, precisa é delas. 

Um dia desses, eu ouvi alguém dizer que sou dependente dos meus filhos tanto quanto eles são de mim. Eu ri. De fato é verdade. Eu precisava ser mãe deles tanto quanto eles precisam de mim. Ser mãe expõe nossas imperfeições, exige-nos tratar nossas feridas e encarar nossos fantasmas. A maternidade demanda de nós o entendimento de que somos imperfeitas e inacabadas na oficina do nosso Mestre. Nossos filhos fazem ruir nossas respostas prontas e nos fazem correr ao altar do Senhor implorando por misericordia e sabedoria. Deus sempre dará aos pais os filhos que potencialmente podem aperfeiçoa-los. Eu preciso dos meus filhos! Eles afloram o melhor em mim e expõem o que há em mim de ruim para que seja tratado. Sabe porque este mundo anda tão cruel, mesquinho, hiperativo e louco? Porque deixamos de prestar atenção nas crianças. Tem uma criança perto de você? Quer se fazer um grande favor? Passe mais tempo com ela!

Enquanto escrevo estou ouvindo uma canção cristã chamada Saved by love (salva pelo amor) escrita por Amy Grant sobre sua irmã. Ela descreve a vida de uma mulher salva pelo amor de ter sua familia para cuidar no dia-a-dia. Essa canção me descreve. Todo dia meus filhos me oferecem a mão pra me salvar de mim mesma: de ser egoísta, mesquinha e de só buscar o meu interesse, de achar que sou melhor no que faço, etc. Cada madrugada que acordo, aprendo a não considerar a mim mesma superior aos demais e a ter um coração solidário. Cada dificuldade dos meus filhos para a qual não tenho resposta expõe minha dependência e fragilidade…quando eles crescem e fazem algo sem mim, eles me lembram quen não sou dona das pessoas, inclusive deles…
Você duvida? Eu precisava ser mãe!!! Talvez alguns de vocês sejam bons o suficiente para não precisarem disso. Eu não sou. 

Tenham uma boa noite! Cerquem-se de crianças!!! Mas permita-me um conselho, veja por um instante a vida a partir delas. Se as suas cresceram, vá brincar com seus sobrinhos e netos, especialmente se você perdeu o brilho no olhar. Isso é terapêutico!