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quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Altruísmo, cordialidade e conversa...isto ainda vale alguma coisa?


``Cada um zele, não apenas por seus próprios interesses, mas igualmente pelos interesses dos outros.´´
Filipenses 2.4





Queridos e queridas,
Que a paz de Cristo esteja presente em nossos lares!

Hoje eu escrevo sobre um tema que já tive vontade de abordar. Imaginem a seguinte cena: uma mãe sozinha levando os filhos ao pediatra. Um deles é um bebê, o outro é uma criança pequena. Ela desce do taxi, com uma criança no braço, outra segurando sua saia, ao mesmo tempo que paga o taxista, carrega também uma bolsa pesada  cheia de tudo que é necessário para longas horas de espera pelo médico. Duas senhoras apressadas fazendo Cooper param bloqueando o pequeno espaço entre um fiteiro, o taxi e o que restou da calçada esburacada. A mais velha diz:

-Pobrezinha, meu Deus! Olhando para a mãe das crianças que não se sente pobrezinha!.

-Pobrezinha não! Diz a outra. Onde está o marido?! Trabalhando! Ela falta emprego, ele não pode faltar! É por causa de gente assim, que aguenta tudo, cuida dos filhos sozinha, não põe os homens no lugar, que as mulheres sofrem. Não é tempo mais! Se ela lava pratos na segunda, ele lave na terça. Essa semana o folgado do meu pai me pediu um copo com água. Eu tava na cozinha trabalhando e ele sentado assistindo TV...
Lá foi ela com seu discurso de ativista, só lhe faltava o palanque...
Saber que coisas como essas são ditas a uma mãe me dá calafrios. Ela poderia ter ajudado ou não atrapalhado, mas em vez disso…

Parece que a família está, em muitos lugares, se tornando uma frente sindical onde todos lutam por seu pedaço e ninguém mais pode lutar pelo bem comum. Por que aquela mãe não poderia correr a próxima milha por amor ao marido e aos filhos? Como aquela mulher sabe por que o marido não está ali e se ele não gostaria de estar? 

É assim. Tudo hoje em dia gira em torno dessa discussão que só amargura relações entre pais de filhos pequenos, especialmente. Eu não quero esse tipo de família, em que todos reivindicam o que é seu e poucos cultivam o que é comum. Um dia desses meu filho mais velho me perguntou porque tinha que guardar os brinquedos da irmãzinha mais nova e não ela. Ele até disse que isso não era justo. Eu lembrei a ele que um dia antes o pai dele carregou as bolsas no ombro, ele num braço e sua irmazinha no bebê conforto, pra que ela não acordasse e ele também. Se fosse para cada um cuidar de suas coisas eu magoaria mais minha coluna dolorida, ele teria que acordar do quinto sono e Bia ficaria no estacionamento. Mostrei a ele que eu estava fazendo o almoço, se eu cozinhasse só pra mim, ele, o papai e a Bibi dele (como ele a chama) iriam passar fome. Assim é uma família! Cada um tem seu papel, mas todos cuidam uns dos outros. Não somos um sindicato, somos família! Se o fardo estiver pesado demais para alguém, conversaremos e veremos como redesenhar as coisas, mas não quero uma família onde as pessoas contem quantas coisas fazem para os outros. O meu pequeno logo entendeu! Guardou os brinquedos e, mesmo colocando tudo na mesa como um menino de quatro anos, me ajudou voluntariamente a arrumar a mesa para o almoço.

É engraçado! Se você vai a uma comunidade trabalhar cozinhando de graça para pessoas desprovidas financeiramente, você é generosa! Se você faz o jantar para seu marido e filhos todo dia é uma mulher atrasada e subjugada!  Não que o primeiro exemplo não seja louvável! Mas eu não entendo! Tive vontade de dizer àquela senhora que se meu pai pedisse um copo com água, eu levaria a água e ofereceria biscoitos e bolachas, mas ela não queria ouvir, apenas discursar! Eu não perdi meu tempo, estava atrasada!


Estes dias recebi em minha casa uma amiga mais velha que é uma das pessoas que mais admiro. O que ela veio fazer? Me ajudar! De graça, não ganha nada com isso, apenas o faz por ser uma Dorca que ama ao Senhor e serve ao próximo com alegria. Juntas sempre temos momentos suavemente agradáveis. Geralmente na minha cozinha. Esse dia ela veio porque eu estava sem tempo para fazer a massa da pizza que guardo congelada para dias difíceis que precisam de um jantar rápido. Sua filha, seguindo o caminho da mãe se ofereceu para arrumar comigo os armários da minha cozinha que eu comentei que precisava arrumar e cuidou de Bia uma boa parte do tempo. Anotei no meu caderno amarelo que quero criar Beatriz como aquela mãe criou sua bela e piedosa moça!Um dia desses essa amiga se ofereceu pra fazer com carinho trabalho de manicure porque percebeu que eu precisava de um refrigério num dia muito agitado. O que ela ganhou? Deixou logo claro que era um gesto de carinho para com uma mamãe cansada. Eu nunca a vi falando em publico, não sobe nos púlpitos, não participa de aglomerações e conversas vociferando. Não é incomum que ela não fale muito. Gosto de cozinhar com ela e gostava de ir a sua casa, pois sua comida tinha sem palavras escrito no aroma gostoso a palavra aconchego. Pode ser um prato de legumes. É sempre assim, na casa dela! Ela que muitas vezes entra muda e sai calada, por ser tímida, nem sabe o quanto é meu exemplo de mulher cristã.


Eu sei, muitas mamães estão despertando para correr a próxima milha! A Bíblia mudou nossos relacionamentos! Nada de se isolar buscando os próprios interesses. Torne a coisa leve, dialogue, peça ajuda e acima de tudo seja generosa! Isto num  mundo em que as pessoas só perguntam o que vão ganhar com isso ou aquilo é um testemunho vivo. Lave os pratos de sua sogra! Faça um bolo para a cunhada, mesmo que seja aquela que fala mal de você! Mande uma parte das frutas que ganhou para uma família amiga! Dê carona a quem precisa! Receba a visita inesperada da melhor forma que puder (se só tiver ovo, sirva o melhor ovo possível com bom humor). O que você ganhará com isso? Um coração de serva como o de Cristo! Obviamente, priorize aqueles que Deus colocou em sua vida, mas se sobrar um tempinho sirva aos demais.

Aquela mãe indo ao pediatra fui eu. Eu poderia dizer  àquela  senhora que na noite anterior meu marido lavou os pratos do jantar, enquanto eu cochilava fazendo as crianças dormir. Ele se ofereceu para ir comigo ao pediatra. Como ele estava atrasado, pois ficou um pouco com nossa bebê para eu dormir, pois estava cansada de uma longa semana, eu disse a ele que eu dava conta de nós três. Não vejo problema! Aqui em casa não temos esses dramas. Meu marido não tem que ir a todos os lugares para provar que é pai presente! Ele vai quando pode e é necessário! No mesmo dia foi a vez dele levar Benjamin para cortar o cabelo, não porque lutamos para igualar o número de tarefas, mas porque tentamos, com nossos erros e acertos, ser uma equipe.
 Eu quero relações igualitarias? Não! Quero relação de amor e cuidado! Onde não precisamos contar quem faz o que! Cada um dá o melhor de si. Quando algo for pesado demais pra um dos quatro, podemos conversar. Isso é família pra mim. Uma hora ou outra um vai cansar, arrebentar a corda, ter TPM, problemas no trabalho, dar lugar a mesquinhez ou acordar de mau humor. Essa será a hora dos outros serem generosos e correrem por ele a próxima milha e se necessário refletir com ele em amor. É fácil?não! Mas nós mamães edificamos a casa!  Lance os fundamentos, seja generosa e ensine o mesmo aos seus filhos. 


Um comentário:

  1. Very well said!! Ouco tantos comentarios assim q as vezes acabo ficando com raiva do meu marido ao invez de focalizar na realidade de que cada um de nos estamos cooperando para o andamento de nossa familia e que cada um tem papel diferente porem significativos e de suma importancia.

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