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quarta-feira, 3 de julho de 2013

Brincando a gente cresce junto

Uma das coisas mais antigas na vida do ser humano é a brincadeira ou o ato de brincar. Não são só as crianças que brincam. Os adultos também. Se você observar, muitas ferramentas e atividades de gente grande ganham popularidade porque se propõem a ser lúdicas.

Lembro de uma reportagem sobre alguns recursos na internet que permitiam que as pessoas tivessem fazendas e brincassem virtualmente com elas. Vi verdadeiros marmanjos e senhoras idosas plantando em suas terras de mentirinha, alimentando animais, etc, etc, etc. O que é isso senão brincar de casinha numa dimensão maior e de um jeito contemporâneo? Não vou entrar no merito de comentar a atividade. Apenas ilustro como brincar é parte da nossa vida.  


Faz algum tempo, encontrei um rapaz que trabalhou comigo numa atividade voluntária. Ele carregava na mão uma caixa de tamanho mediano com muito cuidado. Quando começamos a conversar, ele me mostrou o conteúdo da caixa com um brilho no olhar que competiria com a alegria do meu filho quando ganha carrinhos... Era uma bela locomotiva de ferro. Ele me disse que aquilo era o seu passatempo e me contou o quanto levava a sério ser um colecionador de locomotivas antigas. Me falou de um grupo de colecionadores que junto com ele se planejam pra fazer cenários para suas locomotivas e exposições.

Brincadeiras são importantes e podem ser usadas em diferentes contextos. Que tal trocar as horas de silêncio sem ação verbal e corporal na frente da tela quadrada vendo a surra que a fulana dá na beltrana ou a megana com o fulano por um momento de brincadeira coletiva? Você verá como isso vai funcionar. Os crescidos podem torcer a cara no começo, mas se você insistir verá que no fim isso pode proporcionar um belo momento de comunhão e boas risadas.

Veja aqui algumas dicas de como promover momentos lúdicos:

  A) Se você tem filhos pequenos é hora de brincar de fato. Brinque de carrinhos, de boneca, de loja, etc. Uma dica legal é de fato se desligar de tudo e curtir a brincadeira. Nos primeiros 2 ou 3 anos, seus filhos vão depender de companhia pra brincar. À medida que crescerem, você perceberá que eles vão alternar momentos de brincadeira sozinhos com momentos em que vão querer companhia. Atividades manuais também são bem-vindas. Lembro de quando era pequena e minha avó Maria fazia bonequinhos de casca de melancia modelados a faca e brincava de fazer penteados diferentes no meu cabelo rebelde. Até hoje eu lembro como gostava destes momentos.

B) Invente brincadeiras que não dependam necessáriamente de brinquedos. Benjamin e eu temos, por exemplo, nossas brincadeiras inventadas:

  • Carona: Consiste em ele colocar os pés encimada dos meus, de frente pra mim, estando nós dois de pé e eu fico andando com os pés dele encima dos meus e repito ``carona, carona, mamãe dá carona´´ até chegarmos ao nosso destino. Hoje em dia, ele reclama pois mamãe com cinco meses de gravidez parou de dar carona (rs).
  • Navegar: Esta brincadeira é legal porque me ajudou a ensinar a meu pequeno algumas posições (frente, atrás, lados).Sentamos um de frente pra o outro, ele nas minhas pernas. Eu pego nas mãos dele e simulamos que estamos navegando numa canoa e repetimos: eu vou navegar, navegar, navegar. Pra frente, pra trás, (direciono o corpo pra frente e pra trás) pra um lado e pra o outro (movemos nossos corpos para os lados). Faço isso com ele desde um ano de idade. Ele gosta muito.
  • João Bobo: Nessa brincadeira  Benjamin sobe na minha cama (em que há mais espaço) e eu seguro em suas mãos e fico (num movimento como daquele boneco João Bobo) empurrando o corpinho dele pra frente e pra trás, até ele perder o equilibrio. Esta é uma brincadeira recente...ele vive me pedindo pra brincar assim.
  • Dona Chica: Essa você pode achar que é um surto ou delirio em dupla, mas é muito legal. Quando Benjamin tinha dois anos recem completados eu inventei um personagem chamada dona Chica que ligava pra ele quando este estava entediado. Ela mora na roça e planta tudo que ele gosta de comer e o que ele não gosta. Com o tempo, dona Chica se tornou um personagem de nossas brincadeiras. Agora que ele já está na fase do jogo imaginário, essa brincadeira desperta a criatividade dele. Ele sempre pede: ``mamãe, liga pra dona Chica´´ e nós ligamos com nossas mãos. Eu aproveito dona Chica sempre pra falar de algo que ele possa aprender. Hoje dona Chica estava na roça colhendo milho (que ele gosta muito) e falou com Benjamin sobre como o milho ajuda a ficar forte. Ele perguntou a ela se o urso polar, o urso pardo e o urso panda comiam milho ( os tipos de urso são sua última curiosidade) e continuou o papo com dona Chica até ela ir colher quiabo (pois a mamãe aqui precisava terminar o almoço). Quem precisa de ingressos pára o teatro...rs
  • Estou vendo uma coisa: Quando Benjamin começou a aprender as cores esta se tornou uma brincadeira constante. Até hoje ela e dona Chica ajudam nos congestionamentos quando estamos no trânsito. Eu digo: Estou vendo uma coisa. Eu acho que ela é tal cor. Ele começa a procurar no ambiente coisas daquela cor até acertar. Hoje, muitas vezes ele começa a brincadeira e eu tenho que achar o objeto.
C) Faça projetos de arte e trabalhos manuais: Claro que dependendo da idade da criança, ela apreciará ou não. Brinque de fazer cartões para pessoas que seus filhos gostem, recorte figuras e cole com ele. Faça dobraduras e brinque com elas, faça desenhos, fantoches de sacos de pão, de meias. Estes momentos são bons pra ensinar cores, números, conceitos como pouco e muito, marcadores de texto (o que caracteriza uma carta, um cartão, um desenho), etc.

D) Brinque de arrumar as coisas: Eu e meu pequeno temos uma brincadeira em que ele é meu ajudante. Eu grito: Convocando o ajudante! Ele grita de volta: Sou eu mamãe! Então, enquanto arrumo um comodo, ele me ajuda (eu sou o capitão e ele é o sargento Ze). A ajuda é propria pra idade dele, por exemplo: segurar os travesseiros enquanto arrumo as camas, recolher as roupas sujas e juntos arremessamos no  cesto de roupas sujas dele, etc. Outra coisa que ele gosta demais é me dar os pegadores de roupa quando estou colocando a roupa no varal e eu tento adivinhar que cor é o pegador que ele está me dando. Obviamente, nem sempre dá pra ser assim, mas acredito que podemos usar de atividades lúdicas para ensinar coisas e criar habitos.

F) Proponha jogos familiares: Jogar bola coletivamente (no ritmo das crianças, de acordo com a idade), montar quebra-cabeças  (eles existem para diferentes idades. Há os de poucas peças, mas há também os de 1000 peças ou mais para os maiores). Quebra-cabeças são jogos nos quais podemos trabalhar inumeras capacidades cognitivas. Uma outra coisa legal são os jogos  de tabuleiro que podem ser jogados em parceria. Lembro ainda de quando meu pai comprou um jogo chamado cartas bíblicas, baseado em perguntas e respostas, eu gostava muito daquilo!!! Brincar ou jogar com todos os moradores da casa pode ser uma atividade legal pra quebrar um pouco a mania dos maiores de estarem em casa com todos e ao mesmo tempo não estar com ninguém (cada um em seu computador, TV, etc.).

G) Brinque ao ar livre: Banho de mangueira, passeios de bicicleta, pintura ao ar livre, e as velhas mais sempre legais brincadeiras (elástico, amarelinha, cabra-cega, pular corda, etc.). Lembro de uma vez que perturbamos minha mãe porque queriamos ir à praia. Ela mandou meus irmãos colocarem shorts e eu meu traje de banho e disse que imaginassemos que estavamos na praia. Ligou a mangueira e nos deu um belo banho enquanto corriamos no quintal.

Quando estiver brincando com seus filhos, faça-o de coração. Não há nada mais irritante pra uma criança que um adulto brincando e  assistindo TV ou falando ao telefone com os amigos. Nós mamães sabemos bem disso!!! Se precisar parar, explique que vai parar (mesmo que haja protestos) porque tem que fazer algo importante e depois volte.
Brincar pode desligar você de todo o estresse de um dia de atividade.
Então...está esperando o que pra brincar?!

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